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esclarecendo +

O uso da massagem abdominal como auxílio na evacuação

Cerca de 53% dos pacientes com esclerose múltipla (EM) apresentam constipação. Suas causas ainda não estão bem esclarecidas, mas acredita-se que a principal causa que leva à esta condição é o não relaxamento dos músculos que circundam o ânus, chamados de assoalho pélvico, que deveriam estar relaxados permitindo a saída das fezes. Nesta condição, também conhecida como anismus, o trânsito intestinal é normal porém a falta de relaxamento dos músculos do ânus não permitem que as fezes saiam. Outro fator também apontado como causador da constipação na EM é a diminuição da motilidade intestinal, que são movimentos necessários para que as fezes cheguem até o reto para serem eliminadas, ou a falta de sensibilidade do reto à presença de fezes. Em ambos os casos a causa se deve à lesão do sistema nervoso central devido à doença.

Outros fatores que podem contribuir com a constipação nas pessoas com EM estão relacionados à restrição de líquidos na tentativa de controlar a disfunção urinária, à uma dieta pobre em fibras, à efeitos colaterais de algumas medicações e à diminuição de mobilidade.

Os sintomas mais comuns relacionados à constipação são fezes endurecidas, dificuldade de defecar, sensação de evacuação incompleta, inchaço abdominal, dor de cabeça, perda de apetite, náusea, vômito e, em caso de portadores de EM, aumento da espasticidade dos membros e disfunção vesical.

Na tentativa de diminuir a constipação, independente da causa, algumas medidas podem ser adotadas como aumento da ingestão de fibras e líquidos, prática de atividade física (que auxilia na motilidade intestinal) e reabilitação do assoalho pélvico, quando a causa da constipação for a falta de relaxamento dos músculos do assoalho pélvico.

Uma prática que tem sido utilizada desde os anos 70 em pessoas com constipação é a massagem abdominal, que se mostra muito eficiente no manejo de pacientes com EM diminuindo a severidade da constipação, aumentando a motilidade intestinal e aumentando a frequência das defecações.

Para que a massagem tenha efeito é necessário realizá-la cerca de 5 vezes na semana durante 8 a 15 minutos. Ela pode ser feita pelo próprio paciente, mas antes que se inicie a prática o auxílio de um fisioterapeuta é necessário pois noções básicas da anatomia da pelve e do intestino são necessárias, além da noção e supervisão do movimento correto para que a massagem tenha o efeito desejado.

Esta massagem consiste em alguns movimentos repetitivos que devem ser realizados com a pessoa deitada de barriga pra cima, em um ambiente calmo e com o auxílio de um pouco de creme ou óleo corporal para que as mãos deslizem mais facilmente. Os movimentos podem variar de profissional para profissional mas os mais comumente utilizados são:

- Com a palma da mão direita sobre a parte posterior da palma mão esquerda e exercendo alguma pressão para baixo, o movimento é deslizar as palmas das mãos partindo da região superior do quadril em direção a virilha, esta primeira etapa da massagem tem como objetivo estimular o nervo vago que inerva o intestino.

- Após o estímulo do nervo vago e com as mãos na mesma posição anterior, o objetivo da massagem passa a ser incentivar o trajeto das fezes ao longo do intestino, isto se faz através de movimentos que partem da parte superior do quadril direito, passando pela parte superior do umbigo, indo em direção à parte superior do quadril esquerdo.    

-  A terceira fase da massagem também é realizada com as mãos sobrepostas e seu objetivo é incentivar a descida das fezes para o reto. Isto se faz através de uma maior pressão e deslizamento para baixo aplicada na região lateral direita do abdômen, passando para uma pressão e deslizamento para cima na região lateral esquerda do abdômen e voltando para a pressão descendente na região lateral direita do abdômen.

- Por último uma vibração com as mãos, ou algum aparelho de massagem que produza vibração, aplicada na parede do abdômen para liberar gases, o que conclui a massagem.

Antes de iniciar a massagem não se esqueça de procurar um médico para saber a origem da sua constipação e um fisioterapeuta para lhe avaliar e orientar sobre os movimentos corretos a serem realizados. Depois disso é só aproveitar os benefícios que a massagem abdominal tem a lhe oferecer.

 

Referências bibliográficas

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- Wiesel, P. H.; Norton, C.; Glickman, S.; et. al. Pathophysiology and management of bowel dysfunction in multiple sclerosis. Eur J Gastroen Hepatv.13, n.4, p.441-448, 2001.

DasGupta, R.; Fowler, C.J. Bladder, Bowel and Sexual Dysfunction in Multiple Sclerosis. Drugs. v.63, n.2, p.153-166, 2003.

 

Adelia Lucio. Epecialista em neurologia adulto - UNICAMP. Mestre pela disciplina de urologia – UNICAMP. Aluna de doutorado na disciplina de urologia – UNICAMP.