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esclerose múltipla

Tratamentos Disponíveis

Como tratar

Os tratamentos para EM não curam a doença. Seu objetivo é reduzir a possibilidade de um novo surto e, portanto, o acúmulo de incapacidades e a piora na progressão clínica, contribuindo assim para a melhora da qualidade de vida do paciente. Existem medicações utilizadas somente durante os surtos; outras são utilizadas de maneira contínua, independentemente dos sintomas apresentados; ou ainda há medicamentos que buscam somente aliviar sintomas como dor, desequilíbrio, espasticidade, urgência urinária, fadiga etc.

A EM é uma doença crônica e, às vezes, o portador tende a negligenciar outros aspectos de sua saúde, esquecendo-se de que pode, assim como qualquer pessoa, sofrer de outras doenças que afetam a população, como hipertensão, diabetes entre outras. Por isso, medidas que garantam mais qualidade de vida, como uma dieta saudável, prática de exercícios físicos, uso de técnicas para gerenciar o estresse, entre outras, devem ser enfatizadas.

Diversos sintomas da EM podem ser abordados sem terapia medicamentosa, frequentemente incluindo fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicoterapia e aconselhamento. O tratamento da EM, quando realizado por uma equipe multidisciplinar, ou seja, por outros profissionais de saúde além do médico, em geral tem maior chance de ser bem sucedido.

Cada sintoma e tratamento devem ser discutidos com o neurologista a fim de viabilizar a melhor conduta e orientação. O tratamento ideal requer educação do paciente, permitindo-lhe conhecer o significado do seu sintoma, levar em conta suas preferências e demandas individuais, além de fornecer expectativas realistas em relação à terapia adotada.

 

Terapias de apoio

Algumas terapias, aplicadas por especialistas, ajudam a alcançar diversos objetivos do tratamento e podem atuar como complemento em conjunto com a terapia medicamentosa. As terapias de apoio podem ser sugeridas pelo neurologista em casos nos quais os pacientes apresentem problemas de mobilidade, fadiga, dor, diminuição da independência na realização das atividades cotidianas, alterações na fala, depressão ou outros distúrbios emocionais e até mesmo problemas no trabalho. É sempre importante o portador de EM discutir préviamente a realização de terapias complementares com seu médico, evitando tratamentos de comprovação duvidosa, que prometem “curas” milagrosas, muitas vezes com graves efeitos deletérios.

A prática de exercício físico não é contraindicada e deve ser encorajada na EM. Independentemente do tipo de exercício, vale salientar que é preciso ter cuidado com a prática excessiva de atividade física, pois isso pode aumentar a fadiga, causar superaquecimento do organismo e agravar os sintomas da doença. A frequência, intensidade e tipo de exercício devem estar baseados nas necessidades de cada paciente, e sempre orientados por um profissional habilitado.

A psicoterapia individual ou em grupo pode ajudar os pacientes com EM e seus familiares a enfrentar as depressões, a ansiedade e as limitações que podem ser causadas pela doença. Este tipo de terapia, realizada por um psicólogo, pode promover mudanças emocionais e comportamentais duradouras para melhorar a autoestima, autoimagem e autoconfiança. A terapia cognitivo-comportamental é outra terapia útil, que tem por objetivo restabelecer o equilíbrio emocional, ajudando o portador de EM a entender a doença e encontrar formas de conviver com ela. 

A fisioterapia, através do exercício terapêutico, ajuda a preservar, manter, prevenir e restaurar o sistema musculoesquelético. Como um dos problemas mais encontrados na EM é a dificuldade de movimentação ou mobilidade, devido às alterações da força muscular, a fisioterapia pode ajudar a minimizar esse problema. A espasticidade (aumento da rigidez muscular), uma alteração do tônus muscular bastante comum na EM, pode ser diminuída com exercícios de alongamento muscular específicos. A fisioterapia também auxilia no tratamento dos distúrbios do equilíbrio e incoordenação motora - empregando exercícios corretivos, alongamentos e técnicas específicas para o portador de EM.

O fonoaudiólogo tem como objetivo identificar problemas ou deficiências ligadas à comunicação oral, aplicando treinamento fonético, auditivo, de dicção, empostação da voz, entre outros que auxiliem o paciente na reabilitação da sua fala. A fonoaudiologia também pode ajudar o paciente que apresenta alterações na deglutição.

A terapia ocupacional tem como objetivo melhorar diversos aspectos da relação do portador de EM com o meio em que ele vive. A terapia ocupacional age através de atividades que auxiliam as funções diárias, inclusive o trabalho, estimulando a autoestima e independência do paciente. O terapeuta ocupacional está apto a recomendar adaptações no local de trabalho e no tipo de atividade realizada, com redução ou adaptação da jornada de trabalho, por exemplo, através do home office.

 

Estas informações são recomendações gerais que objetivam expandir o conhecimento sobre a Esclerose Múltipla, mas não substituem a visita do paciente a um neurologista.

 

Fontes: 1. Samkoff, L.M. and A.D. Goodman, Symptomatic management in multiple sclerosis. Neurol Clin, 2011. 29(2): p. 449-63. 2. Ziemssen, T., Symptom management in patients with multiple sclerosis. Journal of the Neurological Sciences, 2011. 311: p. S48-S52. 3. Mosley, L.J., et al., Analysis of symptoms, functional impairments, and participation in occupational therapy for individuals with multiple sclerosis. Occup Ther Health Care, 2004. 17(3-4): p. 27-43. 4. Askey-Jones, S., et al., Cognitive behaviour therapy for common mental disorders in people with Multiple Sclerosis: A bench marking study. Behav Res Ther, 2013. 51(10): p. 648-655. 5. Crayton, H.J. and H.S. Rossman, Managing the symptoms of multiple sclerosis: a multimodal approach. Clin Ther, 2006. 28(4): p. 445-60. 6. Mayo, N.E., et al., The role of exercise in modifying outcomes for people with multiple sclerosis: a randomized trial. BMC Neurol, 2013. 13: p. 69.